SINTO

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

Mantive-me vigilante, ouvi os ruídos, senti-me a observar um campo de refugiados após um tornado, parando de vez em quando, olhando, franzindo o sobrolho, em laivos de pena, de tristeza, de dor, sentimentos pobres, rascas, perdidos entre o nada e lugar nenhum, entre indiferença e raiva, entre amor e ódio, entre tudo e nada.

Paira tudo intensamente na minha memória, levantou-se a escuridão em que tão veementemente me escusei a acreditar, tal é a descrença no futuro, urge o tempo, tempo para observar, tempo para escutar, para testar e ouvir mais ruídos mudos.

Sou pastor sem rebanho, conduzindo-me por entre montanhas como de um fugitivo me tratasse, á procura de um qualquer lugar para me esconder de mim, nas intermináveis ondas das vastas lezírias.

Caminho por entre este campo, oiço os ruídos e observo, oiço o barulho dos cascos a passar pela gravilha da vida, sem piedade, cruel. Olho encosta abaixo e lá estão os refugiados, a olhar para mim, não olho para eles tenho vergonha, estou desprovido de orgulho, tenho raiva, não acredito, não há futuro, quero partir tão rapidamente quanto possível, não quero ver mais.

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