Império da Maldade (continuação)

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

(…..)incomodando os pés das miúdas. Duas, Vanessa a mais velha, Patrícia a mais nova. Vanessa ingressara à dias na faculdade, tinha por objectivo ser médica, era esguia, tal pai, mas mais autoritária, mais arrogante, próprio de quem não passou as dificuldades dos pais. Era o orgulho de Ernesto, que a espaços e sem oportunidade comentava o facto de a filha estar a estudar medicina. Lá na repartição não haveria quem não soubesse, até o simples utente, reformado e freguês habitual perguntava a Ernesto pelas meninas. Dª Rosa a mais alcoviteira das reformadas do 8º bairro fiscal perguntava, com regularidade, em tom de voz monocórdico e com aquele ar fingido de quem espera alguma coisa em troca, “Sr. Ernesto como vão as meninas?” Ao que Ernesto respondia” Vão bem dona Rosa a mais velha já entrou para a faculdade, medicina”. No natal Dª Rosa retribuía sempre qualquer papel que Ernesto tinha preenchido, oferecendo às meninas duas tabletes de chocolate espanhol, com sabor a sabão, que as miúdas davam na quermesse da igreja. Vanessa era bonita, olhos negros, rosto comprido, cabelos longos, contudo, era arrogante, convencida, teimosa, quase tudo o que a mãe era, mas mais apurado, o apuro que a instrução de Ernesto lhe dera por via de tantos anos de ensino, um apuro tão apurado que, por vezes sentia vergonha do tom de voz que a mãe usava, ao atender telefonemas dos seus amigos.

Patrícia a mais nova,”Tinha nascido fora de tempo” frase que a mãe utilizava a miúdo para justificar algumas situações embaraçosas em que a pequena a colocava. Tinha menos dez anos que a Vanessa mas era muito mais travessa, irrequieta, era mais miúda. Anafada como a mãe, cara redonda, cabelo curto, olhos negros como a irmã.

Ernesto que nunca teve tempo para a mais velha, tinha agora para a mais nova, o que causava alguma inveja à Vanessa que quando eles brincavam dizia com regularidade” Façam pouco barulho, não deixam ouvir nada” como se ela quisesse ouvir alguma coisa.

Patrícia estava no 1º ciclo, numa escola privada, privilégio que fora roubado à irmã, pois na altura o dinheiro não abundava, havia que pagar a casa, o carro e as coisa que a princesa comprava a prestações, hoje a vida já se tinha composto e Ernesto até já tinha um pé de meia no banco não fora o destino pregar-lhe alguma partida.

As miúdas cada vez mais odiavam aquelas idas á terra. O Alentejo estava deserto e da idade da Vanessa só havia miúdas parvas, duas ou três, da idade da Patrícia não havia ninguém, nem a liberdade de poderem andar de bicicleta á vontade as prendia, só o pai estava preso a recordações, a sentimentos, a paisagens de outrora, revivendo a cada viagem momentos de eterna felicidade de criança sonhadora.

Ernesto teria que ir à terra brevemente, não esperava ser aclamado por ser chefe, mas a princesa a isso o obrigava, queria olhar para aquela gente de maneira diferente, de cima. Queria ver como reagia a mãe do Chico, olhar de frente para o Manuel, seu primeiro namorico, e com olhar indiferente, sem lhe dar a salvação, mostrar-lhe o quanto tinha feito bem casar com o Ernesto……….
CONTINUA….

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