D`VOLTA

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

Confesso a minha dor ao vento surdo do norte, à adormecida praia lusitana, mosaico dentro de mim, vontade expressa de odiar, rede complexa de ilusões perplexas, confundido a linguagem com a plenitude da palavra e a palavra com o silêncio das páginas nunca escritas, confundindo o narrador com as personagens inexistentes e o espaço com os limites da alma.

Saio a perder deste árduo desafio da esquina da vida irremediavelmente perdido numa aresta, talvez só mais um sentimento da história pequena dos seres, pequenos também, condenados à falta de privilégios restando-lhe apenas a humilhação, único sentimento da memória humana realmente sentido. Fiquei cego pelo sol baixo do fim de tarde, não estou mais em condição de contar o tempo. A brisa não agita mais a morada da minha alma, nem os braços que me trouxeram ate aqui, têm mais forças para remar a terra firme, é inglório o esforço esforçado.

A terra grita, mas a incomensurável imensidão da água abafa o som, come-lhe o sentido, eu até gostava de ouvir o brado dos deuses, mas não gostaria de falar, faltam-me os braços para remar. Quem dera terem-me deixado ficar um par de braços extra para as eventualidades da triste solidão, remaria rumo a qualquer sítio, não este que a vista talha de esguelha postada ao vento surdo do norte, vendo ao longe a adormecida praia lusitana.

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