A Velha Ribeirinha

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

Na velha ribeira, hoje só sopra o vento, aquele que embalava canoas com velas carcomidas pelo sol. Hoje não há tempo para o vento, nem vento com tempo para incendiar o Tejo, rio “maricas” que beijando Lisboa nunca foi capaz de nela penetrar. Já nem o Tejo é o mesmo, envergonhado e tímido, agora é cama de Iates snobs, comprados a crédito por magnatas ocasionais.

Varinas, poucas. Pregões, nenhuns. Vendedores e vendedeiras, sobram alguns.

Carteiristas, não há. Proxenetas, nenhuns. Prostitutas, poucas. Vigaristas, alguns.

Marítimos, estivadores, marinheiros, contrabandistas e mestres, hoje são: tripulantes, técnicos portuários, técnicos navais, traders, comandantes.

Desempenham as mesmas tarefas de outrora, mas falta-lhes o bairrismo, as raízes á cidade, o ser rufia, malandro, divertido, malcriado, sério, honesto, responsável, Homens.

O cacau é chinês.

O peixe espanhol.

A fruta espanhola.

A carne argentina.

Os legumes espanhóis.

O bacalhau islandês.

Os costumes americanos.

Ordenados portugueses.

Tá velha a ribeira, morta de cansaço por esperar dias melhores.

Tá triste, escura, baralhada, pobre, abandonada, segura……………..

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