Feira da Ladra

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized
“É terça feira, feira da ladra…”, onde poetas falidos vendem ultimas obras, ladrões ultimas conquistas, feirantes e tendeiros novidades, velhas, carcomidas, consumidas pelo sol, por um preço qualquer. Assim vai o país, vai e sempre foi, é assim a feira do povo livre. Hoje mais que nunca se compram sonhos, viagens, martelos eléctricos, berbequins, moedas, selos, calças usadas, queijadas de Sintra fora da validade, sapatos e afins. É o mundo lá fora, o mundo real, aquele em que os miúdos empurrados pelos pais, ou não, vendem aquilo que podem, ao preço que podem, quando podem. Viajam de eléctrico, ao som de uma carris enferrujada, com sacos plásticos que vieram substituir as velhas alcofas, carregados de esperança, por meia dúzia de euros que o final da manhã trará. Chegados a casa, entregam os poucos euros aos pais para serem trocados por um pedaço de carne no talho do Zé, lá na rua, que finge não saber as dificuldades por que passam, não fora o livro dos calotes o lembrar a toda a hora.
È este o país da vergonha, da miséria escondida, lamentada numa fila qualquer, longe do falatório das vizinhas, do homem do crédito do carro que telefona a toda a hora e a quem não se atende o telemóvel, a custo carregado com cinco euros na papelaria da esquina.
É este o país da montra, não da realidade, onde todos querem mostrar, mais que o vizinho do lado, do que o cunhado, a quem já não falam a meia dúzia de anos.
É este o país onde gasóleo custa 1.42€, mas que o pessoal continua a pagar com o cartão de crédito, pagando a taxa de 50 ct. e ninguém se queixa.
É também este o meu pais, o que amo, ao qual jurei ganhar a alma em troca do bem de todos, de o defender, de só o deixar depois da morte nos separar, este que nos trata como porcos em chiqueiros, limitados ao nosso espaço, trabalhamos, comemos, dormimos e engordamos à espera que venha o a.v.c., e que sejamos criticados por sermos um peso para o sistema de saúde.
É assim que todos vivemos, acima das nossas possibilidades, para mostrar aos vizinhos o quanto somos bons, o sucesso que temos na vida, suscitamos a inveja, promovemos as dividas dos outro e eles as nossas, a nossa desgraça e eles a nossa
É terça feira, feira da ladra, onde poetas falidos vendem ultimas obras, ladrões ultimas conquistas, feirantes e tendeiros novidades, velhas, carcomidas, consumidas pelo sol, por um preço qualquer.
O Zé do talho já não é o mesmo homem, hoje, por via dos calotes, já não paga o carro, a casa, a Cofidis, o cartão de crédito, leva para casa as assas de peru, que pode. A carne, bem precioso, guarda para vender fiada a uma cliente habitual.

As Palavras

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized
As palavras que não dizemos.
As melhores, aquelas que cada um interpreta da maneira que quer, aquelas de pensamento livre, democrático, dúbio, ambíguo, prisioneiras nas mentes dos outros, reféns do Cérebro alheio, limitadas a pensamentos mesquinhos, nulas, silenciosas, as melhores.
O Homem comum, é certeiro quando dispara palavras aos alvos, inquirido numa rua qualquer, acerca de um assunto qualquer, diz o que lhe vai na alma, mas no fim de terminar a intervenção, instalasse-lhe a revolta pelo que não disse, mas aquilo que não compreende é que quem o ouviu, entendeu tudo aquilo que não disse, que gostaria de ter dito e que agora, fluidamente, se lembra. É a triste realidade dos textos que nunca foram escritos, dos que não pagam a assessores, dos que, à pressa, falam palavras que não são deles e que à primeira vez que são obrigados a dizer o que lhes vai na alma, dizem mal, coisas que ninguém percebe, mas quem os ouve não entende, nem subentende mais nada, para estes as palavras que espontaneamente dizem são as piores.

Orgulho

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized
Orgulhosamente pobres
Somos todos, todos.
Há o pobre sem dinheiro.
Há o pobre de espírito.
Há o pobre de opinião.
Há o pobre sem razão.
Há o pobre com razão, aquele que á nascença é castrado, de ideais, de sonhos, de futuro, de sucesso, que pensa pequenino, insignificante ser deambulando pela vida qual ser microscópio pelo organismo, aqueles em que a vida passa por eles sem darem por isso, sem vontade de morrer, pois a felicidade, a utopia é sempre amanha. Triste realidade a que vivem, sós, orgulhosamente sós, neste quotidiano implacável a que se deixam vergar, dominados, tristes, tão tristes que alegremente assumem a vida, pequenina, com sorrisos cínicos mostrando seres omnipotentes, pobres meus amigos, são estes o que têm razão, aqueles a quem o fim de vida roubou a vontade, a afirmação, a coragem de dizer não.
Se tiverem espírito e não tiverem razão ou dinheiro, tenham sempre opinião, porque esta será a vossa única razão de viver, pois a felicidade, ideal utópico, nunca mais será amanha.
Sem dinheiro
Com espírito
Com opinião
Com razão
SERÃO
ORGULHOSAMENTE RICOS.

Flagelo Nacional

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

Como é possível entrar para uma faculdade pública com média negativa? Só é possível porque a fome de criar novos Dr`s é tanta que se deixou de premiar o justo em detrimento do banal, senão vejamos. Um aluno aplicado, empenhado, inteligente, que no fim do 12º ano obtenha uma média razoável (+/- 16 valores), concorre por ex. a medicina, ora não entra, porque a média para entrar em medicina ronda os 18, mas em Espanha se tiver média final de 14 já entra, (depois importamos médicos de lá para os hospitais públicos), ora não entrou para medicina, por isso, vai concorrer para a outro curso, dentro da mesma área que exija média inferior e assim sucessivamente até conseguir entrada. O aluno médio, acaba o 12º com média de 13 valores, já se está a ver que não vai concorrer a medicina, então escolhe um curso qualquer, goste ou não, tenha ou não vocação o intuito é entrar, é claro entra. Há ainda a terceiro caso que é deste que vos queria falar, o aluno medíocre, aquele que acaba com nota média negativa (9.5), esse teria que passar mais um ano no secundário para fazer melhoria de nota, não hoje já não é assim, hoje concorre a um daqueles cursos, com nome difícil de prenunciar e entra, acho injusto.

Acerca de vinte anos assistiu-se a fenómeno igual nos E.U.A. e vejam no que deu, falências de bancos, nacionalizações escondidas, ajudas federais obscuras, taxas de desemprego altas, enfim, ao nascimento de uma nova classe, os incapazes, inadaptados, infelizes. Actualmente nos E.U.A. voltou-se a estudar as doutrinas de Karl Marx,( existe um novo movimento chamado Marx-renaissance») doutrina outrora banida dos conteúdos universitários, hoje novamente estudada na sua essência .

Será esta a nova classe de Dr´s que estaremos a fomentar?

Será este o futuro do nosso país?

Voltaremos nós às nacionalizações?

Seremos capazes, adaptados e felizes no futuro?

(…..)incomodando os pés das miúdas. Duas, Vanessa a mais velha, Patrícia a mais nova. Vanessa ingressara à dias na faculdade, tinha por objectivo ser médica, era esguia, tal pai, mas mais autoritária, mais arrogante, próprio de quem não passou as dificuldades dos pais. Era o orgulho de Ernesto, que a espaços e sem oportunidade comentava o facto de a filha estar a estudar medicina. Lá na repartição não haveria quem não soubesse, até o simples utente, reformado e freguês habitual perguntava a Ernesto pelas meninas. Dª Rosa a mais alcoviteira das reformadas do 8º bairro fiscal perguntava, com regularidade, em tom de voz monocórdico e com aquele ar fingido de quem espera alguma coisa em troca, “Sr. Ernesto como vão as meninas?” Ao que Ernesto respondia” Vão bem dona Rosa a mais velha já entrou para a faculdade, medicina”. No natal Dª Rosa retribuía sempre qualquer papel que Ernesto tinha preenchido, oferecendo às meninas duas tabletes de chocolate espanhol, com sabor a sabão, que as miúdas davam na quermesse da igreja. Vanessa era bonita, olhos negros, rosto comprido, cabelos longos, contudo, era arrogante, convencida, teimosa, quase tudo o que a mãe era, mas mais apurado, o apuro que a instrução de Ernesto lhe dera por via de tantos anos de ensino, um apuro tão apurado que, por vezes sentia vergonha do tom de voz que a mãe usava, ao atender telefonemas dos seus amigos.

Patrícia a mais nova,”Tinha nascido fora de tempo” frase que a mãe utilizava a miúdo para justificar algumas situações embaraçosas em que a pequena a colocava. Tinha menos dez anos que a Vanessa mas era muito mais travessa, irrequieta, era mais miúda. Anafada como a mãe, cara redonda, cabelo curto, olhos negros como a irmã.

Ernesto que nunca teve tempo para a mais velha, tinha agora para a mais nova, o que causava alguma inveja à Vanessa que quando eles brincavam dizia com regularidade” Façam pouco barulho, não deixam ouvir nada” como se ela quisesse ouvir alguma coisa.

Patrícia estava no 1º ciclo, numa escola privada, privilégio que fora roubado à irmã, pois na altura o dinheiro não abundava, havia que pagar a casa, o carro e as coisa que a princesa comprava a prestações, hoje a vida já se tinha composto e Ernesto até já tinha um pé de meia no banco não fora o destino pregar-lhe alguma partida.

As miúdas cada vez mais odiavam aquelas idas á terra. O Alentejo estava deserto e da idade da Vanessa só havia miúdas parvas, duas ou três, da idade da Patrícia não havia ninguém, nem a liberdade de poderem andar de bicicleta á vontade as prendia, só o pai estava preso a recordações, a sentimentos, a paisagens de outrora, revivendo a cada viagem momentos de eterna felicidade de criança sonhadora.

Ernesto teria que ir à terra brevemente, não esperava ser aclamado por ser chefe, mas a princesa a isso o obrigava, queria olhar para aquela gente de maneira diferente, de cima. Queria ver como reagia a mãe do Chico, olhar de frente para o Manuel, seu primeiro namorico, e com olhar indiferente, sem lhe dar a salvação, mostrar-lhe o quanto tinha feito bem casar com o Ernesto……….
CONTINUA….

Felicidades

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized
A felicidade e a ignorância
A relação da proporcionalidade é directa, quanto maior for a ignorância maior é a felicidade, senão vejamos. Imaginemos um ser totalmente analfabeto despojado de qualquer cultura, religião, alheado no tempo, no espaço. Não paga água, luz, gás, porque não tem casa, não tem que levar os filhos à escola, porque não nos tem, não tem mulher, país, responsabilidade moral, criminal ou social. Não trabalha, não tem férias, não tem semanas nem fins-de-semana, horas minutos ou segundos, não frequenta hipermercados nem centros comerciais, não sabe pronunciar a palavra automóvel. Ri-se, não chora. Fala, não se cala. Não perde tempo a dormir. Bebe mas não come. Fuma mas não tem cancro. É no fundo esta ultima a grande diferença entre ele e nós, ele não sabe se tem ou não, não sofre porque é ignorante.
O conhecimento absoluto ninguém tem, o conhecimento médio têm alguns, este é o pior, é o que suscita duvidas, medos, crenças mas também desenvolvimento, actualização, investigação e no fundo são todos este substantivos, que sem conhecimento próprio melhoram a vida dos ignorantes.

Ponte Fajão

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized
Em plena serra do Açor, no meio de serrarias e penedos serpenteia o rio Ceira, que rodeia a pequena aldeia de Ponte de Fajão. Com meia dúzia de habitantes permanentes, vive exclusivamente do mês de Agosto, onde filhos da terra retornam às origens. Aldeia de grande coração, acolhe todos os que, por isto ou por aquilo lá terminam viagem, gente pura que o frio da serra endureceu, viajaram de pequenos para Lisboa fugindo ao trabalho do campo e à miséria, vitimas do isolamento a que o interior serrano os obrigava, procuraram novas vidas na capital cruel, venceram e hoje vão para descansar mas também para investir na reforma, recuperando antigas casas de xisto, dando brilho e vida à serra.
O Ceira que outrora chorava pelos seus filhos reencontra-se hoje com eles numa praia fluvial carregada de saudade e de esperança comungando com eles lágrimas de orgulho pelo seu regresso.
Vale a pena perder tempo, muito tempo a visitar Ponte de Fajão, porque ainda hoje o que não falta na serra é tempo, muito tempo. Visite a Gola grande, atravesse as duas pontes, o antigo moinho, a casa convívio (peça aguardente de mel), onde haverá sempre um habitante pronto a matar-lhe a sede, mas vá à praia porque a serra também tem praia.