COMO PERSERVAR A MEMÓRIA FAMILIAR

Posted: Junho 15, 2011 in Uncategorized

Se, por um lado, a função da memória familiar visa preservar o património familiar, por outro, ela tende a reconstruir um conjunto de memórias passadas, actualizadas no presente e conservadas no futuro sem perda de todo o acervo acumulado, transmitido de geração em geração, com um fim social, quer no seio da própria família, quer no enquadramento social presente.

No seio das famílias, a memória confunde-se com a transmissão de pormenores por diversas vezes ligados aos sentidos (audição, visão, tacto, paladar e olfacto), por outras, ligados ao materialismo por meio de objectos, documentos, fotos. Tudo isto origina uma colecção particular de vivências em que cada novo descendente é mais um elo raro de conservação e preservação do passado, mas simultaneamente de transmissão de futuro, pelo facto de ele (ser único) e a sua vivência serem objectos singulares de acréscimo à própria colecção.

No seio da família:

- Os objectos são o património preservado que têm por finalidade fazerem reviver, no presente, um passado engolido pelo tempo.

- Os documentos são a forma de materializar o dúbio, confirmando a acção verbal de transmissão. São uma forma de autenticar.

- As fotos, que por diversas vezes enquadram objectos, paisagens ou situações, levam-nos a recordações espácio-temporais. A foto é possível de ser multiplicada e, quando reproduzida, democratiza a memória familiar. Ao conjunto de fotos ordenadas cronologicamente, atribui-se o nome de álbum de família. A este respeito, Thomas Warton (1762) que «necessitamos de uma demonstração visual e de provas claramente ilustradas».

Ao conjunto desta colecção privada, juntam-se ainda outros meios de preservação da memória familiar, como por exemplo os audiovisuais e as heranças.

A colecção pode ser comparada à viagem, pois também esta permite uma deslocação reversível e simula um regresso, bem sucedido no espaço e falhado no tempo.

Existem ainda uma forma de preservação geracional, em que os avós representam a imagem de união entre os seus antepassados e seus descendentes. São elos de ligação entre passado e presente, transmitindo mensagens, memórias vivas. Na maioria das vezes, são os criadores de álbuns familiares que, ao jeito de gabinetes de curiosidades, guardam «caixas em pontos altos dos armários, álbuns em estantes do escritório, envelopes, papéis, cartas, “santinhos”, medalhas, vasos e móveis» , construindo assim pequenos museus familiares.

Toda esta pluralidade de modos de conservação, preservação e transmissão, dá origem a um património cultural singular que, divulgado, origina um património integrado socialmente.

Em jeito de conclusão, acho da maior importância a construção desta colecção única, como veículo de transmissão de valores, realidades culturais, factos e bens, contribuindo para a elaboração colectiva da história de um povo, de uma nação, e de um mundo, recordado e estudado por gerações vindouras. Um mundo onde o património cultural, por vezes tão maltratado, se mistura com a identidade individual. Um mundo em que a memória colectiva pode alterar o rumo da história.

 

FAMILIA, s.f. (do lat. Família). Grupo constituído por indivíduos que estão unidos por consanguinidade, adopção, ou por descendência comum de um tronco ancestral (in Moderno Dicionário da Língua Portuguesa 1)

MEMÓRIA, s.f. (do lat. Memória). 1. Faculdade de conservar ou de readquirir ideias ou imagens. 2. Tomada de consciência do passado como tal. (in Moderno Dicionário da Língua Portuguesa 2)

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